quinta-feira, 30 de junho de 2016

Poema para maiores... de 30


Ai como eu queria
Como um quadro mágico
Apagar você do meu pensamento
Mas continuo seguindo
Suas divagações pueris
Isentas de sentimento
Até que cai a ficha
Você não me olha
E acaba o tempo

domingo, 8 de maio de 2016

Tudo sobre minha mãe

Se eu fosse escrever tudo sobre minha mãe daria um romance
Mas para agradecê-la escrevo em verso
Minha mãe me ensinou muitas coisas como pessoa
A ser digna, ética, doce, batalhadora, ser um porto de paciência para em vão tentar alcançar
Mas minha mãe, agora sei, me ensinou muito mais
Me mostrou, hoje que sou mãe, o que é maternar
Ser mãe é retomar na cabeça tantas coisas que fizestes, mãe
Te vejo cansada, mãe que trabalhou duro o dia todo, passou horas nas estradas
Rodou diversos destinos e voltou pra casa
Sem forças para buscar água, e as crianças brigavam para ver quem ía
Descer as escadas, para te atender
Vejo você fazendo cardápios até tarde, eu tentando ajudar nessa empreitada
Vejo você fazendo lanches da escola, pensando no uniforme
Acordando cinco e meia da manhã para dar conta da trajetória
Mãe de dedinhos gelados botando as meinhas em oito pezinhos
Antes de voarmos para a escola
Não era difícil atrasar, eu ficava envergonhada
Hoje vejo que sucesso, que tivestes de nos levar
Todos os dias com brigas no carro, com café tomado, cabeças penteadas
Mãe te vejo cozinhando, as maiores delícias, a forma de bolo que eu ía untando
Comia a massa crua já esperando
Não dá nem para enumerar, tantos pratos que eu amo
Mas mãe o que eu não esqueço
É de teus passos subindo as escadas
Seu ritmo, sua chegada anunciada
Como enchia meu coração de euforia
Quando você chegava mais cedo em casa
Porque eras a maior alegria
Mãe que palavra linda, na minha vida encantada
Hoje sei que só tenho que agradecer a dádiva
De poder saber dessa saga
Dádiva de parir
Dádiva de nutrir
Dádiva de ver crescer, embalar, abraçar
Ver correr cada dia com passos mais firmes
A nossa criação
É dádiva de amar
Mãe só tenho a agradecer
Àquela que te deu à luz
Nosso anjo que te inspirou a ser
A mãe que pude conhecer
Mãe és minha e de tantos outros
Foi difícil te dividir
E é incrível ter de pedir
Que você me ajude um pouco mais
Me mostre um pouco mais
Que caminho devo seguir
Seu cheiro, seu empenho, seu rastro, seu exemplo
Não é fácil de conseguir
Tendo tanto a me inspirar
Mas obrigada de qualquer jeito
Obrigada por ser meu norte
Sou mulher da maior sorte
Por saber como caminhar

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Vida minha

havia dias que de tão cinzas pareciam cinzas
havia dias de loucura incendiada
havia dias de alegria inebriada 
havia dias em que nem os dias se passavam
nem as horas, nem as luzes
havia dias em que nada se comemorava
agora há mais que dias, mais que horas, mais que luzes
há vida
vida que começou pulsando dentro do ventre
e agora cada dia iluminada
segue a vida independente
coisa linda essa vida que cresce e corre pelos cantos
toma vida, toma diferentes matizes de personalidade própria
cada dia essa vida dada vira vida compartilhada
de tão linda emociona dia a dia
você vida minha
você vida linda
anuncia a vida minha de cada dia melhorada
pela sua presença
sua existência cada dia observada
crescida, acrescida de experiência
cada dia renovada
agora vida nova pela frente todo dia
nova história de contente 
de te ver, de te acompanhar a vida
vida sua que completa a minha vida
vida nossa que ilumina os meus dias
nossa história acrescida de poesia
de cada história cotidiana da nossa vida

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Espera

Já te sinto em mim
Como asinhas de borboleta
A bater dentro da barriga
Florescendo a cada dia
Lua crescente quase cheia
No meu peito sentimento, que não para de crescer
Você minha riqueza
Meu amor, minha beleza
Conto as horas pra te ver
Canto as músicas que eu sei
Esperando você nascer
Canto para te ninar e sonho com você

Você minha riqueza
Amor de tarde fresca
Correr na grama verde
Brincar de adivinhar
Fazer um piquenique
Com coisas boas pra comer
Você é meu Henrique
Meu rei, o meu bebê
Amor maior da vida
Você maior riqueza
Que estou a esperar
Eu sonho, eu canto, encanto
Conto as horas pra te encontrar


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Para quê obliterar?

Para quê obliterar uma paixão?
Não deixar ela crescer
Tomar todo o coração
Não perder você de vista
Mesmo de olhos fechados
Mesmo no sonho
Ou nos piores pesadelos
Obliterar nossos momentos de briga
Não valeria
Nem por toda paz de espírito
Não negaria
Porque não há dúvida
Só o amor
Vivido, curtido, vezes sofrido,
Mas sempre intenso, forte, sincero
Nosso amor
Cada vez amanhecido
Vivo, amparado, amadurecido
Etapa luminosa de nossas vidas
Cada momento, que nem penso, em te perder
Me dá um nó na barriga
Não penso
Porque tenho com você
Meu caminho, meu ninho, meu cantinho
Meu sonho quentinho
De futuro contigo
Sonhando novos sonhos
A cada dia do teu lado
De comidinhas bem preparadas
Discutidas, renovadas
Com viagens inesquecíveis
Inigualáveis porque contigo
Com sonos mais tranquilos
Velados por teu umbigo

terça-feira, 26 de junho de 2012

No coletivo

Como autômato, ele passara o dia trabalhando sem olhar as horas. Almoçou brevemente no restaurante tímido da esquina. Tomou um café morno, lançou-se às notícias futebolísticas da banca de jornais em frente sem fé. Terminou o dia como um apito de bonde, de repente estava no ônibus, freneticamente pagando na roleta. Entre tantas pessoas esquivou-se de um gordo pegajoso. Sentou-se enfim para esquecer do caminho. Seu pensamento ía lento pela letra de uma música vagabunda que não lhe animava, nem saía da cabeça. 

Naquela fartura de gente se amontoando como vagens num caixote mal lixado, o motorista impiedoso provocou, como provoca-se o destino, uma freada, mais que freada, uma pausa de gravidade num momento em que toda a gelatina humana se perdeu escorrendo, como lama entre os dedos, formando um aglomerado disforme de rostos e dentes serrilhados entre gritos abertos, cubistas, os mais ágeis pendurando-se onde podiam, içando-se do abismo que se formara, clamando largamente por uma mão que amparasse, os mais velhos indo ao chão, vertiginosamente espalhando-se, irremediavelmente fadados à solidão da dor nos ossos, e ela, no esquecimento em que estava, faltou-lhe pela altura o alcance das mãos, cairia como água represada, pelas escadas do coletivo que parava. Se não fosse um dia daqueles que sempre acontecem e nunca acontecem em nossa vida.

Ele saiu do seu transe avisado pelo rápido corpo que tombava a sua frente. E de súbito, de pronto, sem reconhecer o perigo, sem se reconhecer, mergulhou no assoalho áspero, sujo e amparou a queda daquela que nada era até então. Da guinchada do metal, do freio, dos uivos desconexos de todos. Um minuto de silêncio fez-se, larga respiração.

Tomou um fio de esperança, como todos temos ao acordar todos os dias. Numa coragem flácida, alçou-lhe a mão, ergueu-a sutilmente e firme e a olhou até o chão - e lá parou. Sem fitar-lhe os olhos vagueou com um sorriso entredentes. Para em seguida fechar-se enfim na sua costumeira sobriedade. Ela que não era esguia e sem vontade, passou-lhe os olhos rapidamente, abotoando um último botão que se abrira,
lançou de seu mais perfeito dom de reconhecer instantaneamente as pessoas e disparou irracionalmente um obrigada e seu nome?

- José.
- Joana. Obrigada!
- Disponha. Digo, às ordens.
- Não sei como lhe agradecer...
- Não é nada.
- É sim. Nem todo mundo se joga no chão assim por outra pessoa.  - Sorriu, como manhã.

E o tudo, que do nada nasce, e só quando há nada brota e só de vez em quando encontra uma oportunidade rara de se revelar, num rompante bruto e único, como o nascimento e como a morte, bravura indômita, trovão, uma ruga que na testa se forma irascível, do lampejo da melhor ideia, da dor de barriga que escapa, do amolecimento de pernas e... 

Como fruta que cai madura, lágrima que corre solta, como a lâmpada acesa irradia, como um tiro que abate, um sopro que infla, um grito que ecoa, um susto, uma trinca, irreversivelmente a esperança faceira se abre e mesmo os simples, mesmo os mais simples se entregam à possibilidade da felicidade.

Como por espanto, como se fosse pertinente, como se fosse acordar de um sonho: o amor se instala, estalando como assoalho, surpresa de balão que estoura, como se fosse o mais bonito, melhor que o mais lindo, e forte e tênue como águas calmas, como se fosse um por do sol perfeito, como alegria de caleidoscópio, como rabo que acena o cão, como a Bahia de Guanabara, mas não tão belo, nem tão eterno. Com lentos passos se despediram os enamorados, ansiando outrora no ônibus reencontrarem-se. Como quem reencontra uma fruta da infância, o melhor vestido, um final feliz.

Letícia Feix – Campinas – 25/06/2012

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Bolo rápido de maçã com iogurte

Misture numa tigela:
2 xícaras de açúcar
2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de sopa de fermento em pó rasas
raspas de limão
1 maçã ralada com casca
meia xícara de passas de uva
1 colher de café de canela em pó

Misture bem e em seguida acrescente:
1 iogurte (que pode ser pequeno, de maçã, aveia ou natural)
2 colheres de sopa bem cheias de manteiga derretida
meia xícara rasa de leite

Despeje sobre uma forma untada e polvilhada de farinha. Cubra com algumas porções de doce de leite, deixando às colheradas por cima da massa. Asse em forno pré-aquecido até dourar.

Polvilhe açúcar de confeiteiro por cima, ou açúcar comum com canela, no bolo ainda quente.