domingo, 5 de outubro de 2008

Série "Beleza que sai com água"


Você sabia que entre esteiras

E entranhas

Eu já não era mais a mesma

Eu não era mais aquele sorriso fácil

Aquela leveza

Eu já carregava o peso da experiência

Das tristezas choradas

Das desilusões sentidas

No âmago

No gargalo

Eu já teria uma ruga na testa

E as mãos rápidas

Eu já teria mais reflexo

Menos medo

Menos crítica e menos crença

Mais malemolência e menos espontaneidade

Ainda assim a beleza

Ah, a beleza de uma mulher!

Nunca se vai

Se olhada com os olhos certos

Com os olhos de quem vê as estórias

Mais do que a memória

Quem vê o sentido

Mais do que os sentidos

Mais do que os livros

Mais do que os filmes

A sobriedade incerta e impura

A indecência da verdade

Que já não foge

A virtude da verdade

Da beleza que não sai com água

Das frases ditas com atenção

Sem mistério

Com a verdade que simples

É tão atraente

E seduz

Para os que possuem os ouvidos para ouvir a verdade
E admirá-la
Além da beleza pueril
Além da espontaneidade juvenil
Além das cartas marcadas
A verdade




Neo-arcadismo em uma noite de verão


Não aprisionarei rebanhos

Mas correrei com os cavalos selvagens

Não te profanarei com minhas perguntas irrefutáveis

Mas cantarei pra ti trova e verso

Cultivarei pra ti lírios e gerânios

E o luar será nossa moldura

Sem fugas

Sem espelhos

Sem degradação

Virarei a noite com teus beijos

E ter ornarei de orvalho e mirra

Vou te coroar com a minha vontade

E brindaremos com vinho e pão

Amigos e rodas

De mãos dadas

Sem ouro, sem penas, sem a beleza que sai com água

Só comunhão

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